quarta-feira, abril 26, 2006

Fim (dias que passam)

Neste infinito fim que nos alcançou
Guardo uma lágrima vinda do fundo
Guardo um sorriso virado para o mundo
Guardo um sonho que nunca chegou

Na minha casa de paredes caídas
Penduro espelhos cor de prata
Guardo reflexos do canto que mata
Guardo uma arca de rimas perdidas

Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que vi
Falo ao mar do que conheci...

No mundo onde tudo parece estar certo
Guardo os defeitos que me atam ao chão
Guardo muralhas feitas de cartão
Guardo um olhar que parecia tão perto

Para o país do esquecer o nunca nascido
Levo a espada e a armadura de ferro
Levo o escudo e o cavalo negro
Levo-te a ti... levo-te a ti para sempre comigo...

Na praia deserta dos dias que passam
Falo ao mar de coisas que senti
Falo ao mar do que nunca perdi.


Por trás do fim

Por trás do fim
Por trás de nós
Por trás de ti
Estamos só no que o dia quis deixar

Mais um tiro que marcou
Mais um grito que ficou
Põe a tempo a girar

Só queria estar bem aqui
Quando acabar vou querer ficar

Para quê ser mais alguém
Para quê fingir papéis
Se não vou viver de cor

Que é tão bom deixar andar
Deixar o tempo nos levar
Que eu não sei viver de cor...

Só queria estar bem aqui
Por acabar vou querer ficar

Já dançamos demais
Sorrimos demais
Vivemos demais
Agarrámos demais
Fugimos demais
Restou a saudade de ser... «demais»
Demais,
Demais,
Demais...

Publicidade

Quem me conhece já sabe esta lengalenga, mas de facto irrita-me os anúncios à Lixivia e da velhota que anda em todo o lado com a lixivia na mala, na sacola... os netos a correrem e a rasgar o lençol, a não sei quantas que ficou triste porque manchou a camisola... por favor, quem no seu juízo normal anda com lixivia na mala???hmm!!! enfim, valeu à velhota uns belos trocos para se manter tão jovem... está sempre na mesma!!! Na generalidade todos os anúncios para detergentes são um massacre, seja o Pronto da velhota (outra) que dá um festa em casa na ausência da filha; seja umas malucas a dançarem e a cantarolar feitas loucas... a mim o efeito do detergente e o acto de lavar roupa e a casa não me dá aquela disposição... parecem que estão num acto continuo de parvalheira andante... Outro: O fenómeno sonasol, o algodão não engana... quem é que passa algodão depois de limpar o chão?QUEM? E o Xau é outra que enfim... e sempre as mulheres como população alvo, o sexismo nos anúncios mantém-se... os esterotipos permanecem e nós a vê-los passar constantemente nas nossas casas...

para finalizar, e porque fui bastante incisiva com os detergentes, acho pertinente deixar aqui a minha reflexão sofre a violência e estupidez de outros anúnicos... O Nestea, muda de ice tea: que disparate é aquele de primeiro cair uma caixa de nesteas na cabeça de um homem que não escolheu da forma que eles consideram correcto, segundo, um peixe sai de uma sanita e come o antigo jovem que se vestia horrivelmente mal... não vejo onde é que está a graça!!!

terça-feira, abril 18, 2006

Miauuuuuu


que pose!! que elegância!! não há gata que resista... já proibi que o nino da foto dê o número cá de casa... é impossível tanta miadeira!!;)

alguém viu o coelho?

... sim, o coelho e não o ganso.... todas as Páscoas dizem que há coelhos... oooooooooonde?não os bi!!bi um grilo que se instalou na minha rica cama (só de pensar fico arrepiada, que mania de deixarem as janelas do meu quarto abertas... entra a bicharada, os poléns... não há vacinas que aguentem... alergias e sustos), e senti um ferrão enooooooooooorme de uma abelha na minha rica perna (até tive pena da abelha quando a vi caída no chão, quem mandou picar?)... e foram os episódios mais hilariantes desta época festiva... e do coelho?Nada!:)

Passagem

A Páscoa simboliza a passagem... o renascer com outra luz... há momentos que marcam as nossas passagens, e sem dúvida que a morte é a passagem que mais dói pela perda vivida por aqueles que ficam no caminho... por mais palavras de consolo, por mais atitudes de conforto resta-nos despedir e viver a saudade, recordando a vida de quem partiu, mantendo-lo vivo em nós. Não penses naquilo que faltou fazer... mas sim naquilo que viveram juntos!Um sopro do norte com a leveza de renascimento para ti!

quarta-feira, abril 12, 2006

Feliz Páscoa

Recebi hoje um e-mail de um amigo que me é muito querido, de alguém que me ensina todos os dias, apesar da distância e da ausência, que a amizade é fonte de vida e alegria!Por detrás do escuro ele vê o que realmente é essencial... e transmite a sua sabedoria com uma alegria e uma forma tão espontânea que me emociono sempre... foi o caso deste e-mail que partilho mais no sentido de expressar todo o meu amor para todos aqueles que amo!Feliz Páscoa!

Olá! Que bom encontrar-te!Pode ser que estejas com alguma pressa... talvez tenhas coisas muito importantes para fazer... Mas... para mim é importante que páres um pouquinho para estares comigo. É que tenho aqui um presente para ti: é o meu folar para ti nesta páscoa! Podes recebê-lo, abrindo o teu coração e permitindo-te escutar:

"A criança que fui chora na estrada.Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E, ao ver-me tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim."

Esta, é então, a minha prenda para ti: o soneto de Fernando Pessoa "UM ALTO MONTE".Ficarei contente de saber que este presente tem, para ti, cheiro a páscoa. Guarda-o para ti e contempla-o sempre que precisares de encontrar "um alto monte" para que possas fazer todas as páscoas que te fizerem falta. É que as páscoas são fonte de vida, representam as ondas da nossa vida... são como que a morte de algo em nós para ressurgirmos mais fortes mantendo a nossa essência, são um verdadeiro mistério e sem elas a nossa vida, a pouco e pouco, seria cada vez mais sentido.Antes de nos despedirmos, permite que os meus braços envolvam a tua aura e, depois, que eles possam falar-te como és importante para mim. Se, entretanto, sentir que as tuas mão se tentam tocar junto das minhas costas, perceberei como o teu coração tem um cantinho para mim, tal como o meu te acolhe a ti.Então, estes breves minutos terão valido ouro. Ou melhor, ter-me-ão proporcionado um alimento precioso para os momentos em que procuro e permaneço no meu "alto monte". Por isso, te estou grato e sinto-me privilegiado pelo afecto que me permites dar-te e por aquele que me dedicas.Fica bem e até breve.

terça-feira, abril 04, 2006

Distância

O ser humano é essencialmente um ser social... tem necessidade de viver em sociedade, mas também é na vivência do grupo que necessita de definir o seu espaço interpessoal!Na comunicação interpessoal a distância entre duas pessoas constituem a fronteira que permite o delimite da partilha dos sentimentos e dos pensamentos no âmbito do respeito e da tolerância dos eus e outros que se comunicam entre si. Distância... será fronteira? será espaço? será tempo? e se a distância é fundamental para a coexistência das diferenças, porque é tão mal tolerada quando nos é imposta enquanto distância física, geográfica... quando se torna ausência?e quando a própria distância se coloca aos nossos eus como um constrangimento à acção e tomada de decisão?Acho que, tal como em tudo, o equilíbrio é fundamental, e a distância é tão indefinida quanto as suas diversas valências... mas é fundamental para o nosso bem estar... A distância talvez seja saudade... "Saudade é o ar que vou sugando e aceitando como fruto do verão nos jardins do teu beijo"... talvez seja tempo... talvez seja um momento, ou vários momentos em que definimos em nós os nossos espaços e fronteiras, as nossas defesas... e gerimos as relações em torno de uma distância física, psicológica... que nos impomos ou nos são impostos... o truque é a tolerância que encontramos em nós para saber gerir as distâncias que nos surgem ou que criamos...

...não percas tempo no tempo para as respostas da distância... muitas vezes não existem respostas no eco que não chega, que não existe... é bom ter no tempo a distância e o momento para reflectir, ponderar... mas é bom saber que o tempo não deve ser a ilusão da solução...

... "Uau, after I jumped it occurred to me... life is perfect, life is the best, full of magic, of beauty, of opportunities, and of television... lots of surprises..."

... é na distância que encontramos a vida: a construção do nosso caminho, as oportunidades das escolhas que fazemos nos cruzamentos, o tempo de espera do sinal vermelho... e da distância do início ao caminhado vai o crescimento, a experiência...

... toma o tempo que for preciso para avançares no teu sinal verde!

(depois de reler acho que tá o fundamental: o paradoxo da distância) :)